Arquitectura e Viagem
texto escrito em resposta,
à Crónica escrita por Albino, "Arquitectura, Natureza e Amor"
in: FAZENDO

Tal como o arquitecto procura, através da linha, desenhar
o tão essencial espaço de habitação, eu acredito que
a viagem é, assim, o nosso traço.

Existe uma viga mestre, um telhado, que por norma não
vai cair. Refiro-me à terra/cidade natal.

Contudo, falta erguer paredes, criar jogos
de luz, de espaço e não espaço.

Vamos de um lugar para o outro, passamos por não
lugares, atravessamos o Pacífico, traçamos um rumo. Mais
de mil milhas curvilíneas, moldam-nos um
espaço/abrigo.

As estradas eram de terra no Laos, as casas, não mais que
bambu. A história de Lijiang, património mundial da UNESCO, está
marcada nas pedras seculares do chão das ruas, e os
telhados, acabam com cada telha ornamentada por um
selo.

O mundo é redondo, as casas quadradas, é pequeno e a
nossa casa ainda o é mais. Aqui passa, quem sabe, um
nativo/habitante de cada cultura.

Se eu já passei: Rússia, Dinamarca, Espanha, Açores,
Alasca, Havai, Japão, Laos e mais alguns como Marrocos,
imaginem o traço; a luz, cor e forma.

O Hermitage, em São Petersburgo; São quadros colossais,
triunfais exércitos russos, retratos a óleo. Pedro,
o Grande, o Czar com dois metros de altura e as conquistas
sangrentas.

Uma perspectiva; Como vês o mundo? Da janela do teu
quarto? Do Atlas? Dos livros?

Quantas imagens do mundo tens em tua casa? Couberam
todas? Afinal ele era grande? De que tamanho?

Um círculo em torno da terra? Para onde vais? Faz uma casa,
a tua casa.

Faial, 12 de Fevereiro de 2011

   Lijiang, A M ©