Maio 2008

De Bruxelas voámos para Estocolmo, uma boa oportunidade visto normalmente encontrarmo-nos ao dobro da distância. Ansiava por assistir às noites iluminadas. Quanto mais nos afastamos do equador, mais paralela torna-se a eclíptica do sol em relação ao nosso horizonte visível, o que provoca noites menos escuras ou dias menos claros consoante a estação.
Na primeira noite de maio aconteceu a Valborgsmässoafton, despedida dos dias frios. Um empregado de café em Gamla Stan, músico inglês viajante, testemunhou a depressão Sueca, não se queixava directamente do frio mas sim do isolamento individual.
Após uma viagem pelo infindável pinhal que ocupa toda a região, chegamos a Torsaker uma pequena vila situada no interior da Suécia, ficamos hospedados numa casa peculiar, um Padre Luterano Sueco casado com Paula, Portuguesa, optou por mudar de costumes após tantos anos como guia turística pela Escandinávia e Rússia, e André, o filho mais novo, com a mãe aprendeu português. A casa é igual a todas as outras do interior Escandinavo inspiradas nos quadros e vida do pintor Carl Larsson, de madeira vermelha, tratamento descoberto nas minas de ferro, mais do que um andar e sem vedações. O espaço interior é fundamental, no inverno pouco se sai e os amigos são a família, o espaço exterior nunca pertence ao proprietário da casa, este tem o dever de limpar o bosque em redor mas não o pode reclamar como proprietário único, a natureza é de todos. A musica ajuda o tempo a passar, enquanto nos afastávamos a família acenava perfilada nas escadas e cantava. Paula trabalha agora com refugiados políticos e André ainda estuda.
Em Estocolmo aconselho o hostel Red Boat Mälaren, acostado no cais sul, as vigias perto do nível da água e o ligeiro balanço proporcionam momentos de contemplação. Hei-de voltar à cidade das ilhas, torres, cores estranhamente mediterrâneas em fachadas antigas, noites lilás, Kungsträdgården e Gamla stan.

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Estocolmo em Maio, noites com luz: margarida ©